sábado, 21 de janeiro de 2017

As práticas podem nos levar à tomada de decisão


LIÇÃO 21

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

1. A ideia para hoje é, obviamente, uma continuação e extensão da anterior. Desta vez, porém, são necessários períodos específicos de exame mental, além da aplicação da ideia a situações particulares na medida em que elas possam surgir. Insiste-se em cinco períodos de prática e em que se conceda um minuto completo a cada um.

2. Nos períodos de prática, começa repetindo a ideia para ti mesmo. Em seguida, fecha os olhos e investiga tua mente com cuidado em busca de situações passadas, presentes ou previstas que te despertem raiva. A raiva pode assumir a forma de qualquer reação, desde uma irritação leve até a fúria. O grau da emoção que experimentas não importa. Tu te tornarás cada vez mais consciente de que um leve toque de contrariedade não é nada senão um véu estendido sobre uma fúria violenta.

3. Tenta, portanto, não deixar que os pensamentos "minúsculos" de raiva escapem de ti nos períodos de prática. Lembra-te de que não sabes verdadeiramente o que desperta raiva em ti e de que nada daquilo em que acreditas em relação a isto significa coisa alguma. É provável que fiques tentado a te demorares mais em algumas situações ou pessoas do que em outras, com base na crença equivocada de que elas são mais "óbvias". Isto não é verdade. É apenas um exemplo da crença de que algumas formas de ataque são mais justificadas do que outras.

4. Quando examinares tua mente em busca de todas as formas com que se apresentam os pensamentos de ataque, mantém cada uma em mente enquanto dizes a ti mesmo:

Estou decidido a ver ________ [nome de uma pessoa] de modo diferente.
Estou decidido a ver ________ [especifica a situação] de modo diferente.

5. Tenta ser o mais específico possível. Podes, por exemplo, focalizar tua raiva em uma característica particular de uma determinada pessoa, acreditando que a raiva está limitada a esse aspecto. Se tua percepção sofre desta forma de distorção, dize:

Estou decidido a ver __________ [especifica a característica]
em _________ [nome da pessoa] de modo diferente.

*

COMENTÁRIO:

Explorando LIÇÃO 21

Hoje, vamos explorar mais uma vez a lição de número 21. Uma lição que complementa a das práticas de ontem, como ela mesma diz, ao definir a ideia, e no início de seu primeiro parágrafo. 

"Estou decidido a ver as coisas de modo diferente."

Nossa decisão pela visão é tudo o que precisamos para ver, conforme vimos ontem. Mas ver as coisas de modo diferente é tudo o que é necessário para a nossa salvação e para a salvação do mundo inteiro. Duvidam?

Ao refletir a respeito da lição de sábado, ocorreu-me que ela mesma pode servir como ponto de partida para o aprofundamento da reflexão a respeito desta que exploramos hoje. Aliás, todas as lições anteriores vêm nos preparando para a tomada de decisão. Preparando o terreno para percebermos a necessidade de ver as coisas de modo diferente. Para o nosso próprio bem e para o bem de todos.

Vejamos:

A lição dezenove dizia que às vezes as ideias relacionadas aos pensamentos antecedem aquelas relacionadas à percepção, ao perceber. Outras vezes, a percepção, o perceber, vem antes do pensamento. Isto é apenas um equívoco. Na verdade, pensar e perceber são simultâneos.

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

É apenas num mundo de aparências que podemos pensar que é possível perceber de modo separado do pensar. Como se uma coisa qualquer, uma pessoa, ou uma situação se pudesse apresentar antes de termos pensado nelas. Noutras vezes temos ciência de que as coisas e as pessoas aparecem - ou as situações acontecem - ao mesmo tempo em que nosso pensamento se volta para elas. 

Não é assim que dizemos a alguém com quem aparentemente encontramos de forma inesperada, por "acaso": "Puxa, acabei de pensar em você e você apareceu. Que coincidência!"?

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

Podemos começar por aí! Não há coincidências, acasos. As mentes são unidas. Estão unidas. Não há distância alguma entre "minha" mente e a mente de qualquer outra pessoa com quem eu já tenha tido contato em algum momento de minha vida. Ou mesmo entre a minha mente e a mente de qualquer uma pessoa cuja experiência tenha de fazer parte da minha, tenha alguma coisa a me informar a meu próprio respeito. Ou ainda entre as mentes de todas as pessoas com quem entrei em contato via filmes, revistas, livros ou outra fonte qualquer de informação.

É por isso que é comum que nos identifiquemos com tantas pessoas a quem não conhecemos pessoalmente, ou que nunca chegamos,e muitas vezes nem chegaremos, a encontrar fisicamente. Um escritor, por exemplo. As ideias que ele põe no papel, e que lemos, são aquelas mesmas que trazemos em nós e que despertam uma parte da mente que estava adormecida em nós - a mesma mente que nos une a ele. Aí, concordando com o que ele diz, acreditamos ter encontrado alguém capaz de dizer exatamente aquilo que já sentíamos ou pensávamos, mas não tínhamos palavras para dizer.

Embora isso possa parecer verdadeiro, quando estamos atentos de fato, isso é apenas um lembrar-se de algo que estava escondido em nós, sempre por nossa própria escolha. É apenas chegar um pouco mais perto do conhecimento de nós mesmos. É apenas um vislumbre de que somos muito mais do que o pouco que pensamos de nós mesmos.

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

 Nos períodos de prática, começa repetindo a ideia para ti mesmo. Em seguida, fecha os olhos e investiga tua mente com cuidado em busca de situações passadas, presentes ou previstas que te despertem raiva. A raiva pode assumir a forma de qualquer reação, desde uma irritação leve até a fúria. O grau da emoção que experimentas não importa. Tu te tornarás cada vez mais consciente de que um leve toque de contrariedade não é nada senão um véu estendido sobre uma fúria violenta.

Uma canção antiga - "killing me softly with his song", conhecem, lembram? - ilustra bem o que acontece em casos assim. Casos em que nossas emoções despertam e não sabemos como lidar com elas. Apesar de soar um tanto melodramática, a letra fala de alguém [uma moça] que ouviu um rapazinho [a young boy] cantar uma bela canção e chegou perto para ouvir um instante.

O cantor era um "estranho" aos olhos dela, mas arranhava a dor que ela sentia com seus dedos, no instrumento que tocava. Cantava a vida da moça com suas palavras e a matava suavemente com sua canção. Ele contava toda a vida dela com suas palavras. E ela ficou vermelha, como que com febre, envergonhada pela multidão. Parecia a ela que ele tinha encontrado todas as suas cartas e lia cada uma delas em voz alta. 

Rezou, então, para que ele terminasse mas ele simplesmente continuou a arranhar sua dor com os dedos, a cantar a vida dela com suas palavras, a matá-la suavemente com sua canção. 

Estou decidido a ver as coisas de modo diferente.

Quem já não se sentiu assim em relação a uma música que ouviu e que pareceu expressar tudo aquilo que se sentia naquele exato momento? Ou com um filme a que assistiu? Ou um livro - ou um texto - que tenha lido? Daí a necessidade da atenção ao que nos chega à mente. Daí a necessidade de examinarmos com calma quaisquer emoções que venham perturbar nossa paz de espírito. 

Um exame atento vai nos mostrar que, com isso, estamos apenas descobrindo aspectos de nós mesmos dos quais ainda não tínhamos nos dado conta. Um exame que vale a pena experimentar fazer, se de fato estivermos decididos a ver as coisas de modo diferente

E antes de convidá-los para as práticas, gostaria de acrescentar aqui, o texto, a postagem que deu início a este blog, em 21 de janeiro de 2009. Vejam aí. Dei uma pequena editada para facilitar a leitura, mas em termos gerais continua valendo. Alguém lembra de ter lido? Comentado?

"Ano Novo. Vida Nova. A oportunidade ideal para O Novo Começo.

Assim como tudo se renova a cada instante na natureza, para fenecer e morrer no instante seguinte, nossos dias se desenrolam incessantemente, num começar e terminar que não tem fim. Basta um piscar de olhos e alguma coisa ou alguém desapareceu de nosso mundo. Partiu? Viajou? Morreu? Não é tão simples assim. O que vimos um instante atrás já não é a mesma coisa que vemos agora, ao lhe dirigirmos um novo olhar. Nossos olhos também já não são os mesmos.

Por isso os/as convido a participarem deste espaço. Para, quem sabe, aprendermos juntos O Novo Começo.

Vamos conversar e trocar ideias a respeito dos ensinamentos do UCEM? Vamos aprender todos os dias com os exercícios e com os comentários a seu respeito? 

Oxalá aprendamos que aprender depende também do que ensinamos. E que sempre só ensinamos aquilo que precisamos aprender. E que tudo, absolutamente tudo, se renova a cada instante quando aprendemos a olhar para as coisas de modo diferente. E que podemos aprender a aprender, e a fazer isso - a olhar para as coisas de modo diferente. E que as coisas todas do mundo, ao se renovarem, para se apresentarem a nós de forma diferente a cada instante, são a prova de que "tudo está absolutamente certo" exatamente da forma como se apresenta a nós em qualquer instante de nossas vidas, conforme o Curso ensina.

Como já disse alguém muito sabiamente, o mundo muda quando nós mudamos.

Cabe aqui muito bem lembrar que o exercício para este dia, o de número 21, é o seguinte: Estou decidido a ver as coisas de modo diferente. 

Depois de algum tempo estudando o UCEM, fica bem claro que esta é a única decisão que podemos tomar, se quisermos de verdade trazer alguma mudança em nossa vida.

Bem, espero que isso sirva como o sinalizador d'O Novo Começo.

Bem-vindos mais uma vez!"

Às práticas?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Só a tomada de decisão que pode nos dar o milagre


LIÇÃO 20

Estou decidido a ver.

1. Até agora fomos bem displicentes em relação a nossos períodos de prática. Não houve realmente nenhuma tentativa de determinar o momento para empreendê-los, pediu-se esforço mínimo e nem mesmo se pediu cooperação e interesses efetivos. Esta abordagem é intencional e planejada de forma muito cuidadosa. Não perdemos de vista a importância vital da mudança radical de teu modo de pensar. A salvação do mundo depende dela. Contudo, não verás se considerares que estás sendo coagido e se te entregares ao ressentimento e à contrariedade.

2. Esta é nossa primeira tentativa de introduzir uma estrutura. Não a interpretes de modo equivocado como um esforço para exercer força ou pressão. Tu queres a salvação. Tu queres ser feliz. Tu queres paz. Tu não as tens agora porque tua mente é totalmente indisciplinada e porque não podes distinguir entre alegria e pesar, prazer e dor, amor e medo. Agora está aprendendo a distingui-los. E, de fato, tua recompensa será grande.

3. Tua decisão de ver é tudo o que a visão pede. Aquilo que queres é teu. Não confundas o pequeno esforço que se pede a ti com um sinal de que nossa meta tem pouco valor. A salvação do mundo pode ser um objetivo sem importância? E o mundo pode ser salvo se tu não fores? Deus tem um único Filho e ele é a ressurreição e a vida. A vontade dele se faz porque todo o poder lhe foi dado no Céu e na terra. A visão te é dada a partir de tua decisão de ver.

4. Os exercícios para hoje consistem em lembrares a ti mesmo durante todo o dia que queres ver. A ideia de hoje também pressupõe, tacitamente, o reconhecimento de que não vês agora. Por isso, enquanto repetes a ideia, declaras que estás decidido a mudar teu estado presente por um melhor, por um que queres realmente.

5. Repete a ideia de hoje devagar e de forma inequívoca pelo menos duas vezes por hora hoje, tentando fazê-lo a cada meia hora. Não te aflijas se esqueceres de fazê-lo, mas faze um esforço verdadeiro para lembrar. As repetições adicionais devem ser aplicadas a qualquer situação, pessoa ou acontecimento que te transtorne. Podes vê-los de modo diferente, e verás. Tu verás aquilo que desejas. Assim é a verdadeira lei de causa e efeito do modo como ela opera no mundo.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 20

A lição de hoje nos traz a um ponto decisivo, a começar pelo título que o Curso dá ao exercício. 

Repetindo a chamada de anos passados: Marília, você ainda está conosco? Lembra-se de que você comentou esta lição há quatro anos? David, Lena, Jorge, Nina, Manolo, Bobdaniela, Eliane, Sonia, Roberto, Heitor, Thais, Mônica, estão todos aqui? Quem mais? Murilo? Bem-vindo! Aprendiz de Ucem?

Que lhes parece aproximar-se de novo das "mesmas" lições? Quem é que faz isto? É a mesma pessoa do ano passado, ou dos anos passados? Ou, como diz a canção de Paulinho Moska, "é tudo novo de novo"? 

Como eu disse acima, chegamos a um ponto decisivo. Vamos explorá-lo.

"Estou decidido a ver."

É este o momento para a tomada de decisão. É claro que não é o primeiro. Não será o último. Quem sabe quando seremos capazes de perceber e reconhecer honestamente quão pouco estamos dispostos a nos comprometer com qualquer coisa que exija que voltemos o olhar para o interior de nós mesmos?

Por que será? Medo? Conformismo? Preguiça de mudar? De pensar em mudança? Medo das consequências que as mudanças que resultarão da tomada de decisão vão trazer. Quantos de nós, de fato, temos medo de alcançar justamente aquilo que acreditamos nos faria felizes? Quantos de nós dizemos que estar prontos para fazer tudo o que for preciso para chegar ao sucesso - seja em que área for de nossa vida - e deixamos de dar os passos necessários, tão logo a primeira dificuldade, ou contrariedade, se apresente? Quantos de nós ainda acreditam que deve haver em algum lugar alguma pílula, um comprimido, um líquido milagroso, que pode nos dar toda a consciência e trazer a completa satisfação sem que seja necessário nenhum esforço de nossa parte? 

Vejamos o que o a lição diz para começar:

Até agora fomos bem displicentes em relação a nossos períodos de prática. Não houve realmente nenhuma tentativa de determinar o momento para empreendê-los, pediu-se esforço mínimo e nem mesmo se pediu cooperação e interesses efetivos. Esta abordagem é intencional e planejada de forma muito cuidadosa. Não perdemos de vista a importância vital da mudança radical de teu modo de pensar. A salvação do mundo depende dela. Contudo, não verás se considerares que estás sendo coagido e se te entregares ao ressentimento e à contrariedade.

Vejam que o próprio Curso nos trouxe até aqui, de forma aparentemente casual  e descomprometida, sem nos pedir de nenhuma forma veemente que tomássemos qualquer decisão. É bem verdade que somos resistentes a pressões. Em geral não gostamos muito de conselhos e tendemos a abandonar rapidamente qualquer coisa que exija uma mudança muito radical em nossos hábitos.

Estou decidido a ver.

Chega um momento na vida de cada um, porém, em que é necessário escolher uma direção, um rumo. Um momento em que é necessário comprometer-se com alguma coisa ou com alguém. A menos que se esteja inteiramente satisfeito com a vida que se leva, haverá, sem dúvida, um ponto em que vamos nos questionar a respeito da vida, do viver. Viver é só isso?

Acordar, fazer algum tipo de atividade física - para os que a fazem -, tomar café, ir para o trabalho, almoçar, voltar ao trabalho, ir para casa - uma passadinha eventual nalgum barzinho para um encontro com amigos ou amigas, dia ou outro -, jantar, um pouquinho de televisão - novela? -, dormir... Para... Acordar... Dia após dia. Mês após mês. Ano após ano. Por quanto tempo? Até quando?

Estou decidido a ver.

A lição vem para nos oferecer um novo quadro:

Esta é nossa primeira tentativa de introduzir uma estrutura. Não a interpretes de modo equivocado como um esforço para exercer força ou pressão. Tu queres a salvação. Tu queres ser feliz. Tu queres paz. Tu não as tens agora porque tua mente é totalmente indisciplinada e porque não podes distinguir entre alegria e pesar, prazer e dor, amor e medo. Agora está aprendendo a distingui-los. E, de fato, tua recompensa será grande.

Queremos a salvação? Queremos ser felizes? Queremos paz de espírito? Alegria?

É preciso que nos perguntemos se, de fato, queremos estas coisas para que haja algum sentido em nos envolvermos com as práticas da ideia de hoje.

Estou decidido a ver:

O Curso afirma que:

Tua decisão de ver é tudo o que a visão pede. Aquilo que queres é teu. Não confundas o pequeno esforço que se pede a ti com um sinal de que nossa meta tem pouco valor. A salvação do mundo pode ser um objetivo sem importância? E o mundo pode ser salvo se tu não fores? Deus tem um único Filho e ele é a ressurreição e a vida. A vontade dele se faz porque todo o poder lhe foi dado no Céu e na terra. A visão te é dada a partir de tua decisão de ver.

Como já vimos antes, uma vez tomada a decisão, as mudanças não vão acontecer simplesmente da noite para o dia, porque ainda estamos presos à crença de que as coisas acontecem ao longo de um tempo linear, que, na verdade, não existe. Mas a mudança mais importante já se fez com a escolha de ver.

Isso não significa também que tudo vai ser muito mais fácil a partir de agora. Não! Significa, sim, que vamos começar a perceber a necessidade de se tomar a decisão a cada instante, a todo instante. Renová-la em todos os momentos para podermos viver o milagre todos os dias em nossa vida.

O restante das instruções que a lição dá é suficientemente claro para que a apliquemos sem susto. E para que vejamos, na prática, os resultados de sua aplicação. Para quem estiver disposto a aprofundar ainda mais, talvez valha a pena uma visita ao comentário que fiz a esta mesma lição em 2013.

Às práticas?

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Milagre: o único instrumento para controlar o tempo


LIÇÃO 19

Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meus pensamentos.

1. A ideia para hoje é, obviamente, a razão pela qual tua visão não afeta só a ti. Observarás que às vezes ideias relacionadas ao modo de pensar antecedem aquelas relacionadas à percepção, enquanto que outras vezes a ordem está invertida. A razão é que a ordem não importa. Pensar e seus resultados são, de fato, simultâneos, pois causa e efeito nunca estão separados.

2. Hoje estamos enfatizando mais uma vez o fato de que as mentes são unidas. Raramente esta é uma ideia totalmente bem recebida a princípio, uma vez que ela parece trazer consigo um enorme senso de responsabilidade e pode até ser considerada uma "invasão de privacidade". Porém, é um fato que não existe nenhum pensamento privado. Apesar de tua resistência inicial a esta ideia, tu ainda compreenderás que ela tem de ser verdadeira se a salvação for possível de alguma forma. E a salvação tem de ser possível porque é a Vontade de Deus.

3. O minuto aproximado de exame mental que os exercícios de hoje pedem deve ser empreendido de olhos fechados. Primeiro, a ideia deve ser repetida e, em seguida, a mente deve ser vasculhada cuidadosamente em busca dos pensamentos que contém naquele momento. À medida que refletes a respeito de cada um, cita-o tendo em vista a pessoa ou tema central que ele contém e, mantendo-o em tua mente ao fazê-lo, dize:

Não estou sozinho ao experimentar os efeitos
deste pensamento sobre ___________ .

4. A esta altura, a necessidade da maior casualidade possível na escolha dos sujeitos para os períodos de prática já deve ser bastante familiar para ti e não será mais repetida a cada dia, embora venha a ser incluída como um lembrete ocasionalmente. Não te esqueças, no entanto, de que a seleção aleatória de sujeitos para todos os períodos de prática continua a ser essencial do início ao fim. A ausência de ordem a este respeito tornará, finalmente, significativo para ti o reconhecimento da ausência de ordem nos milagres.

5. Sem considerar as aplicações da ideia de hoje "de acordo com a necessidade", pede-se pelo menos três períodos de prática, diminuindo a duração do tempo envolvido se necessário. Não tentes mais do que quatro.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 19

Hoje, vamos, de novo, dedicar algum tempo para explorar mais uma das lições do Curso. Desta vez, nossa atenção vai se voltar para o que chamamos de lei de ação e reação, ou princípio de causa e efeito. 

"Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meus pensamentos."

Já no início, a lição aponta que:

A ideia para hoje é, obviamente, a razão pela qual tua visão não afeta só a ti.

Isto se refere, com certeza, ao que praticamos ontem, conforme vimos, pois, uma vez que são nossos pensamentos que determinam as experiências que vamos viver, é claro que, se nosso olhar - nossa visão - afeta o que vemos, nossos pensamentos também o fazem. É deles que nasce o que vemos.

Indo adiante na lição:

Observarás que às vezes ideias relacionadas ao modo de pensar antecedem aquelas relacionadas à percepção, enquanto que outras vezes a ordem está invertida. A razão é que a ordem não importa. Pensar e seus resultados são, de fato, simultâneos, pois causa e efeito nunca estão separados.

Isto quer dizer que aquilo que pensas acontece instantaneamente?

Sim, e não! 

Sim, porque potencialmente qualquer pensamento que tenhamos desencadeia as condições necessárias para que aquilo que escolhemos experimentar se apresente a nossa experiência tão logo estejamos prontos para ele.

E não, porque, em função de acreditarmos que existe a necessidade de um intervalo de tempo para que as coisas que pensamos aconteçam, a experiência que escolhemos viver fica, por assim dizer, "suspensa" em nossa consciência até o momento que escolhemos para ela se apresentar. No entanto, quando tomamos a decisão, mesmo que inconscientes disso, a experiência que escolhemos viver fica à espera das condições necessárias para que a vivamos, e nós a vivemos simultaneamente com a decisão, embora pareça haver um intervalo de tempo entre o momento em que a escolhemos e o momento em que ela se apresentou.

Isso parece muito louco, não é mesmo?

Pensemos, porém, por um instante no que aprendemos do modo de pensar do mundo. Há um momento em que nascemos. Em seguida nos desenvolvemos e passamos pelas fases de bebês, crianças, pré-adolescentes, adolescentes, jovens adultos, adultos, para chegar à velhice e à morte, por fim.

Isso leva um tempo, não?

Pois bem, esse tempo, na verdade, não existe - a não ser em nossa mente. Somos - cada um de nós -, em essência, sempre o mesmo, em qualquer instante de nossa vida. O que muda - e apenas aparentemente - é a forma, o corpo, que não dura para a eternidade. Ou que só dura pelo tempo em que quisermos viver a experiência dos sentidos.

Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meus pensamentos.

É por isso que todos os que habitam nosso mundo passam pelas mesmas experiência que passamos no tempo. Elas podem não ser exatamente iguais as nossas na forma, mas em essência são. Isto é, em geral, não significam coisa alguma, como os pensamentos que temos.

O milagre, que é natural, é involuntário, altera a ordem temporal e depende da convicção. O milagre rearranja a percepção e coloca todos os níveis em sua verdadeira perspectiva. O milagre faz diminuir a necessidade do tempo, estabelecendo um intervalo de tempo fora do padrão a que estamos acostumados no mundo. Ele é intemporal e é o único instrumento a nossa disposição imediata para controlar o tempo.

Não acreditam?

Basta experimentar pôr em prática, de verdade, o que cada lição nos desafia a fazer a cada dia para que experimentemos a verdade eterna que as palavras do Curso oferecem.

A lição continua:


Hoje estamos enfatizando mais uma vez o fato de que as mentes são unidas. Raramente esta é uma ideia totalmente bem recebida a princípio, uma vez que ela parece trazer consigo um enorme senso de responsabilidade e pode até ser considerada uma "invasão de privacidade". Porém, é um fato que não existe nenhum pensamento privado. Apesar de tua resistência inicial a esta ideia, tu ainda compreenderás que ela tem de ser verdadeira se a salvação for possível de alguma forma. E a salvação tem de ser possível porque é a Vontade de Deus.

Parece-me que fica bastante claro, a partir da ideia de hoje, que "as mentes são unidas". Não lhes parece?

No entanto, não basta que isto esteja claro apenas do ponto de vista do intelecto. Isto é, não é suficiente que tenhamos entendido a ideia apenas intelectualmente. Isso não facilita a mudança que precisamos fazer em nosso modo de pensar e de olhar para o mundo [vide comentário a esta lição em 19/01/2012].

O fato de as mentes serem unidas tem de ser experimentado na vida que levamos, deixando de lado aquilo que chamamos de "privado". Porque acreditar que temos algo a esconder de alguém sinaliza que ainda estamos com medo de encarar o que somos. Ainda estamos nos julgando melhores ou piores do que uns e outros. Ainda estamos vivendo a partir da crença na separação. Reforçando esta crença. Resistindo à salvação, sem acreditar no que a ideia nos diz a respeito de nós mesmos.

Perguntemo-nos honestamente: "quero me salvar"? O que verdadeiramente significa salvação?

Salvação significa abandonar por completo o julgamento do mundo e de tudo o que há nele. Jean-Yves Leloup diz em um de seus livros que "a pessoa que se conhece evitará a todo custo qualquer julgamento a respeito dos outros".

É, pois, para chegar ao autoconhecimento que praticamos. Não é? 

Às práticas, pois! 

OBSERVAÇÃO: Este comentário, salvo por alguns acréscimos aqui e ali, algumas correções mínimas de ortografia e pontuação, é a repetição quase que completa do comentário feito a esta mesmo lição nos últimos três anos.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

"O sábio traz as ilusões à verdade e as dissipa."


LIÇÃO 18

Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu olhar.

1. A ideia de hoje é outro passo no aprendizado de que os pensamentos que dão origem ao que vês nunca são neutros ou sem importância. Ela também enfatiza a ideia de que as mentes são unidas, à qual se dará ênfase maior mais tarde.

2. A ideia de hoje não se aplica tanto ao que vês quanto ao modo como o vês. Por esta razão, os exercícios para hoje enfatizam este aspecto de tua percepção. Os três ou quatro períodos de prática que se recomenda devem ser feitos da seguinte forma:

3. Olha a tua volta, escolhendo sujeitos para a aplicação da ideia para hoje tão aleatoriamente quanto possível, e mantendo teus olhos sobre cada um deles por tempo suficiente para dizer:

Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de como vejo __________ .

Conclui cada período de prática repetindo a declaração mais genérica:

Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu olhar.

Cerca de um minuto, ou até menos, será suficiente para qualquer período de prática.

*

COMENTÁRIO:

Explorando a LIÇÃO 18

A lição que o Curso nos oferece para as práticas e para exploração hoje complementa e amplia a tarefa de mostrar que nossos pensamentos nunca são neutros, assim como também não são neutras as coisas que vemos, pois que surgem a partir deles. Vamos à exploração? 

"Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu olhar."

Para iniciar a conversa, a lição começa assim:

A ideia de hoje é outro passo no aprendizado de que os pensamentos que dão origem ao que vês nunca são neutros ou sem importância. Ela também enfatiza a ideia de que as mentes são unidas, à qual se dará ênfase maior mais tarde.

É forçoso recorrer à lógica, que pode nos oferecer um modo de compreender (lembrando-nos sempre de que compreender é aceitar) de modo mais fácil as implicações decorrentes da ideia que praticamos hoje. E também é forçoso que voltemos nossa atenção para o modo com que ela se relaciona a todas as ideias que praticamos antes.

Vejamos:

Não estou sozinho ao experimentar os efeitos de meu olhar.

É claro que, por exemplo, quando uma chuva muito forte se abate sobre o lugar em que moramos, percebemos que todos - ou quase todos - à volta de nós procuram abrigo, usam guarda-chuvas, saem de carro, ou, quando podem, não saem de casa. Correto?

Podemos dirigir nossa atenção para os pensamentos que temos comparando-os a uma chuva. Eles atingem também todas - ou quase todas - aquelas pessoas e coisas que povoam nossa mente. É claro, então, que todas elas - ou quase todas, pessoas ou coisas - experimentam conosco o efeito do que vemos. Mas apenas na medida em que elas ainda não tenham tomado a decisão de não se deixarem influenciar pelo que a percepção mostra. Quer dizer, apenas enquanto elas ainda não tomaram a decisão de olhar para o mundo de modo diferente, a partir da sintonia com o divino em si.

Não estou sozinho ao experimentar os efeitos do meus olhar. 

A ideia de hoje não se aplica tanto ao que vês quanto ao modo como o vês. Por esta razão, os exercícios para
hoje enfatizam este aspecto de tua percepção.

Mais uma vez: não vemos nenhuma coisa neutra porque nossos pensamentos (quase) nunca são neutros, são imagens que fazemos e não significam coisa alguma. Eles nos mostram um mundo sem significado, um mundo que não foi criado por Deus. Um mundo que nos dá medo e que nos deixa transtornados a maior parte do tempo.

Voltemos a uma parte de um dos comentários de Tara Singh para a lição de número oito:

"O sábio traz as ilusões à verdade e as dissipa. Ele vê o falso como falso. E, então, ele percebe que aquilo de que não gosta fora de si mesmo é o que ele é. Ele lida consigo mesmo, sabendo que sua Realidade não pode ser ameaçada."

Às práticas? 

OBSERVAÇÃO: 

Salvo pequenos acréscimos e correções ortográficas, este comentário praticamente repete o comentário feito a esta lição no ano passado. Aproveitei-me inclusive do título dado à postagem.
  

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Poderá haver alguma coisa neutra em nossa vida?


LIÇÃO 17

Eu não vejo nenhuma coisa neutra.

1. Esta ideia é outro passo na direção da identificação de como causa e efeito operam realmente no mundo. Tu não vês nenhuma coisa neutra porque não tens nenhum pensamento neutro. É sempre o pensamento que vem primeiro, apesar da tentação de se acreditar que é o contrário. Não é deste modo que o mundo pensa, mas tens de aprender que é deste modo que tu pensas. Se não fosse assim, a percepção não teria nenhuma causa e seria, ela mesma, a causa da realidade. Em virtude de sua natureza altamente variável, isto é muito pouco provável.

2. Ao aplicares a ideia de hoje, dize a ti mesmo, de olhos abertos:

Eu não vejo nenhuma coisa neutra porque não tenho nenhum pensamento neutro.

Em seguida, olha a tua volta fixando teu olhar sobre cada coisa que observares por tempo suficiente para dizer:

Eu não vejo um(a) ____________ neutro(a), porque meus
pensamentos sobre ____________ não são neutros.

Poderias dizer, por exemplo:

Eu não vejo uma parede neutra, porque meus
pensamentos sobre paredes não são neutros.

Eu não vejo um corpo neutro, porque meus
pensamentos sobre corpos não são neutros.

3. Como de costume, é essencial não fazer nenhuma distinção entre o que acreditas ser animado ou inanimado, agradável ou desagradável. Independente daquilo em que possas acreditar, tu não vês nada que seja verdadeiramente vivo ou alegre. Isto é porque ainda não estás ciente de qualquer pensamento realmente verdadeiro e, portanto, realmente feliz.

4. Recomenda-se três ou quatro períodos específicos de prática e pede-se não menos do que três para o máximo aproveitamento, mesmo que experimentes resistência. No entanto, se experimentares, a duração do período de prática pode ser reduzida para menos do que o minuto aproximado que recomenda caso contrário.

*

COMENTÁRIO: 

Antes de nos aventurarmos na exploração da lição de hoje, gostaria de voltar à de ontem e fazer algumas observações que me ocorreram a partir das práticas com ela no dia 16 do ano passado. Desculpem-me os que acharem estas observações impertinentes e/ou longas demais. Em todo o caso, parece-me importante ressaltar a necessidade de que mergulhemos fundo nas práticas para perceber claramente em que ponto, e até que ponto, estamos nos auto-enganando, se elas não se revelam efetivas para as nossas experiências de todos os dias.

Assim é que, ano passado, a lição 16 me remeteu diretamente a uma conversa pessoal que tive com um amigo e também a uma mensagem que recebi dele, e que foi respondida alguns dias depois, na ocasião. Pensando nisso e também em todas as questões levantadas ao longo de todos esses anos de prática, por David e por Eliane e por outros colegas, e também pelas pertinentes observações compartilhados por nossa colega Cida, gostaria de registrar o seguinte. Lembrem-se que estamos falando da ideia para as práticas do dia de ontem.

Atenção! "Tudo o que vês é o resultado de teus pensamentos".

Quer dizer, tudo o que vês, tudo o que experimentas, todas as experiências que se apresentam em tua vida, na minha vida e na vida de todos e de cada um de nós, derivam diretamente daquilo que pensamos.

E não há exceção possível a isso.

Assim, a lição segue dizendo que nossos pensamentos não podem ser grandes ou pequenos. Ou são verdadeiros ou são falsos.

É claro que entendemos que os pensamentos verdadeiros - aqueles que temos com Deus, n'Ele, seja o que for que Deus signifique para cada um de nós - nos trazem todas as experiências de alegria e de paz.

Por outro lado, os pensamentos falsos, quer dizer, aqueles pensamentos que temos a partir da crença na separação, são os responsáveis por tudo aquilo que experimentamos e que não está vinculado à alegria e à paz. Ou seja, são os pensamentos falsos que constroem este mundo de problemas, de violência, de guerras, de escassez e morte, de doenças e de limitações de qualquer natureza.

É isso que vemos o Curso nos apresentar no segundo parágrafo desta lição 16.

Por mais inconscientes, ou inconsequentes, que sejamos, lá, no fundo, somos capazes de reconhecer, às vezes até com algum receio, que não temos "pensamentos vãos". Como quando, por exemplo, desejamos que alguma coisa ruim aconteça a alguém e recebemos, de repente, a notícia de que a pessoa em questão sofreu um acidente, ou mesmo morreu.

Não há lá no fundo de nós uma espécie de remorso, de culpa, de medo que a responsabilidade pelo acontecido a ela seja nossa?

Mas podemos ficar tranquilos em relação a isto. Não é! Pois nada acontece a ninguém que não seja parte da vontade desse alguém. O exemplo é apenas para ilustrar a ideia de que nenhum de nossos pensamentos é "vão". Nunca!

Como a lição diz, "aquilo que dá origem à percepção de um mundo inteiro dificilmente pode ser chamado de vão".

E prossegue, como no primeiro parágrafo, dizendo que todo pensamento que nos ocorre coopera para que a verdade se apresente ou opera para a multiplicação das ilusões. Pois, de fato, podemos multiplicar o nada. Quer dizer, sempre que agimos a partir dos pensamentos falsos, estamos colaborando para que a ilusão se estabeleça e/ou se multiplique. Entretanto, não é possível estendermos o nada, apesar de sua multiplicação, pois todas as ilusões, como o Curso ensina, são uma só e estão vinculadas à crença na separação, que não é verdadeira e não existe.

E mais, indo agora para o que nos diz o terceiro parágrafo:

Se entendermos o que o Curso nos diz aí, se compreendermos, com o sentido de aceitar que o que ele diz é verdadeiro, seremos capazes de identificar nos pensamentos falsos que temos a fonte de todos os males que vemos no mundo. Todos os males, os problemas, as angústias, os medos e as doenças que se apresentam a nós, em nossas experiências.

É, então, possível percebermos por que razão o mundo se mostra a nós da forma como se mostra. Precisamos abandonar urgentemente, limpar em nós, os pensamentos falsos, para deixarmos de acreditar em guerras, catástrofes, naturais ou não, violência, escassez, doenças, pecado e toda a lista de horrores que vemos vir até nós todos os dias.

Só nós somos os responsáveis por todas essas coisas que nos chegam. Porque damos crédito, acreditamos que essas coisas existem de verdade e não são apenas ilusões criadas pelos pensamentos falsos que temos.

Precisamos começar a aprender, e rapidamente, eu diria, a iluminar os cantos escuros de nossas mentes para afastar de lá os menores indícios de pensamentos de medo porque eles não são de fato sem importância, ou triviais. É preciso substitui-los por pensamentos verdadeiros, que nos levem a experimentar serenidade, amor, paz e alegria. Estas as características naturais dos filhos de Deus, que somos nós. Todos nós, e não apenas alguns eleitos, ou auto-denominados.

Precisamos substituir a crença na separação, construída a partir conceitos que nos dão os pensamentos falsos, pelo pensamento verdadeiro segundo o qual ainda somos como Deus nos criou. Nada do que façamos a partir dos pensamentos falsos é real. Eles só constroem ilusões.

Leiamos novamente lá na lição a parte citada do capítulo 21 com o título de A última questão sem resposta.

Ainda não está bem claro para algum de nós? O que queremos do Curso? O que queremos para nossa vida? Queremos de fato a visão constante, constância, ou nos contentamos com os altos e baixos que nos oferecem a percepção dos sentidos do corpo?

Já testamos, já pusemos em prática inúmeras vezes o poder de nosso desejo, embora nem sempre tenhamos nos dado conta de que foi ele - o nosso desejo - que trouxe até nós aquilo por que ansiávamos. Também não nos damos conta, em geral, de que mesmo aquilo de indesejável, ou desagradável, que vem até nós é fruto de nosso desejo. Neste caso, desejo transformado em medo. Porque medo é desejo, o Curso ensina.

Se, apesar de termos tentado de tudo mesmo, ainda não vivemos na alegria e na paz de Deus, não será porque, no fundo, bem lá no mais fundo de nós mesmos ainda mora um resquício de crença de que existe algum poder fora de Deus?

Examinemos nossa consciência, nossos pensamentos, nossas crenças com toda a honestidade de que somos capazes, para verificar se não estamos dando poder a algo, a alguma coisa que julgamos separada de Deus?

Paz e bem!

E voltemos agora nossa atenção para a lição de hoje. Ela também confirma tudo isso que está dito aí acima e ainda o comentário feito à lição 16, neste ano e em todos os anos anteriores. 

Explorando a LIÇÃO 17

Continuemos, pois, a explorar a lição à moda de Tara Singh. Quer dizer, de modo parecido com a maneira que ele usou para comentar as dez primeiras, de que me vali nos últimos anos. Isso lhes parece bom? Ou já estão cansados de comentários tão longos? Ou só eu os acho longos? Lembrem-se de que a instrução básica é: o importante é a prática com a ideia da forma com que o Curso a oferece, do modo que o Curso orienta. A leitura, ou o uso, do comentário que adiciono aqui não é obrigatória. Por isso, por favor, se o comentário lhes parecer demais, deixem-no de lado. Voltem-se para a lição. 

Hoje ela é:

"Eu não vejo nenhuma coisa neutra."

E começa por dizer:

Esta ideia é outro passo na direção da identificação de como causa e efeito operam realmente no mundo. Tu não vês nenhuma coisa neutra porque não tens nenhum pensamento neutro.

Esta é uma relação que podemos fazer quase que de maneira óbvia, não é mesmo? Se nosso pensamento estiver sempre carregado de julgamento - e normalmente está -, se estiver funcionando como uma galeria de imagens na qual aprisionamos todas as pessoas e coisas que povoam nosso mundo, todas estas coisas e pessoas nunca serão neutras à luz de nossa percepção.

Percebem?

Lembremo-nos mais uma vez do exemplo da xícara, ou tomemos qualquer outro objeto "conhecido". O que sabemos dele, de fato, que não seja apenas a imagem que fizemos, ou a que desde muito cedo em nossa vida nos ensinaram a fazer? O que sabemos dele, do objeto, que não se refira tão somente à carga de "significado" - bom ou ruim - que depositamos sobre ele? Que não se relacione ao apego que temos a ele ou que não esteja ligado ao ódio, à aversão ou ao medo, ou a qualquer outra emoção que temos quando pensamos nele? 

Não lhes parece ser assim? O que nos leva, por exemplo, a colecionar objetos, coisas? Não há algumas coisas em nossa vida que nos parecem indispensáveis? E se são, a nosso modo de ver, indispensáveis, podem ser neutras?

Eu não vejo nenhuma coisa neutra.

Aí está a verdade eterna das palavras que o Curso nos oferece:

Tu não vês nenhuma coisa neutra porque não tens nenhum pensamento neutro. É sempre o pensamento que vem primeiro, apesar da tentação de se acreditar que é o contrário. Não é deste modo que o mundo pensa, mas tens de aprender que é deste modo que tu pensas. Se não fosse assim, a percepção não teria nenhuma causa e seria, ela mesma, a causa da realidade. Isto é muito pouco provável, em virtude de sua natureza muito inconstante.

O que podemos concluir, então, como já vínhamos adivinhando - se não chegamos a ser explícitos -, é que são os nossos pensamentos que determinam o que vemos. Ou, dito de outra forma, nós somos inteiramente responsáveis por tudo o que acontece no mundo, ou, melhor dizendo, por pelo menos tudo aquilo que chega a nossa consciência. E cada um de nós é responsável apenas por seu próprio mundo, é claro.

Isso nos leva, também - ou pelo menos deveria nos levar -, à conclusão de que assim como há um mundo para cada um de nós, não há razão para qualquer julgamento em nenhuma circunstância, pois não nos é possível, nem com todos os sentidos, nem com um sexto, sétimo ou oitavo sentidos, apreender a totalidade dos mundos que pensamos ver.


Eu não vejo nenhuma coisa neutra porque não tenho nenhum pensamento neutro.

É muito importante também que atentemos para a necessidade de não se fazer distinções entre os objetos e pessoas ou situações que escolhemos para a aplicação da ideia do exercício. Esta é uma recomendação que o Curso traz desde a introdução ao livro de exercícios. Ela é muito pertinente, porque, não sendo ainda capazes de abandonar por completo o julgamento, podemos pensar, iludidos pelo ego, que pode haver coisas ou pessoas que devam ou possam ser excluídas da prática.

Não há! 

Às práticas?

OBSERVAÇÃO: 

Repetindo uma vez mais: quem quiser um comentário que situe esta mesma ideia a partir de outro ângulo, para comparar o quanto, de fato, é verdadeira a ideia para as práticas de hoje, dê uma passadinha de olhos no comentário feito a esta mesma lição em 17 de janeiro de 2012.